O ex-presidente Lula afirmou, durante sua entrevista ao Jornal Nacional, que Jair Bolsonaro é “bobo da corte” por não ter controle do orçamento federal. Afirmou que, em seu eventual governo, vai acabar com o que chamou de “semipresidencialismo”.
Ele, porém, terá o mesmo problema se vencer as eleições em outubro deste ano. O orçamento do ano que vem, já em discussão no Congresso, prevê 19,3 bilhões de reais para as emendas do relator, o chamado orçamento secreto.
O Bastidor conversou com lideranças partidárias do centrão, uma delas apoiadora de Lula, após a exibição da entrevista. Todas acham difícil qualquer alteração para o próximo ano, no sentido de reduzir o poder dos parlamentares sobre o dinheiro público.
Mesmo para 2024, diz uma delas, “vai ter negociação”, sugerindo que o governo terá de dar algo em troca do poder de deputados e senadores sobre o orçamento.
A possibilidade, admite um aliado de Lula, é uma composição com Arthur Lira, que deseja permanecer à frente da Câmara e já encaminhou uma aproximação com o petista. Há, porém, resistência dentro do PT. Um desafio, portanto.
Em favor de Lula, avaliam os parlamentares, o ex-presidente terá uma base partidária e ideológica organizada no Congresso, o que Jair Bolsonaro não tinha e não tem. O tamanho desta eventual base, contudo, só se saberá depois de 2 de outubro.

