Os rumores de demissão do ministro da Defesa, José Múcio, divulgados e desmentidos pelo deputado André Janones na noite de terça-feira mostram que ainda falta muita gente descer do palanque. Foi um tiro de canhão no pé.

A questão militar é a mais complexa para o governo Lula neste início. Atacar Múcio com fogo amigo neste momento coloca em dúvida a confiança do governo no ministro, o que solapa sua capacidade de liderança. Militares não vão respeitar um ministro fraco. E o respeito a este comando é tudo que o governo precisa agora.

Colaborar para derrubar ministro da Defesa quando os militares não gostam do governo, e uma multidão quebra as sedes dos Três Poderes pedindo um golpe de Estado e intervenção militar, não parece das melhores ideias.

O fogo amigo está baseado na conduta de Múcio em relação aos militares até agora. Escolhido por ser cuidadoso e bom de diálogo, Múcio se recusou a pegar mais pesado com os comandantes das Forças Armadas para desfazer acampamentos na frente de quartéis.

Sua postura contrasta com a do colega da Justiça, Flávio Dino, mais contundente e favorável à limpeza. A barbárie de domingo piorou a situação de Múcio dentro do governo, pois o acampamento de Brasília era o celeiro dos terroristas. Como sempre acontece nessas horas, surgiram rumores de que Lula estaria irritado com o ministro. Múcio perdeu.

Tudo isso é normal em governos. Anormal é um governo ter um divulgador oficial de rumores em redes sociais. Janones foi agregado à campanha de Lula por ser um valoroso operador em redes sociais, um influenciador e mobilizador.

Suas estratégias funcionaram bem no enfrentamento ao bolsonarismo com as mesmas armas dos bolsonarismo. Isso não significa que o que ele faz bem contra adversários seja bom num governo.