O secretário-executivo Wolney Queiroz foi escolhido pelo presidente Lula, nesta sexta-feira (02), como novo ministro da Previdência. O Bastidor apontou mais cedo que Queiroz era o favorito ao cargo. Ele substituirá Carlos Lupi, que pediu demissão há pouco, devido aos desdobramentos do escândalo do roubo dos aposentados do INSS.
Queiroz foi deputado federal e, assim como Lupi, é do PDT. Sua escolha mantém o partido na base de apoio ao governo. Além dele, também era cotado para o cargo o deputado Félix Mendonça Júnior, presidente do PDT na Bahia.
Na semana passada, uma operação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União expôs um esquema em que funcionários do INSS, empresários e sindicatos conseguiram, desde 2019, descontar irregularmente valores dos benefícios de 742 mil aposentados e pensionistas. A fraude pode chegar a 6,3 bilhões de reais.
Durante a semana, Lupi tentou, mas não conseguiu dar explicações razoáveis à Comissão de Previdência da Câmara sobre por que, apesar de denúncias e avisos, sua gestão não interrompeu os descontos ilegais.
Na quarta-feira, o jornal O Globo mostrou que Marcelo Panella orientou entidades interessadas em entrar no esquema a procurar um advogado, que recomendou a contratação de uma consultoria indicada por ele. Panella é tesoureiro do PDT e assessor de Lupi há anos, foi o pivô de sua queda do Ministério do Trabalho, em 2011, suspeito de cobrar propina de ONGs que tinham contratos com o governo.
A oposição acionou a Procuradoria-Geral da República contra Lupi. Diz que houve inércia do ministro no escândalo do INSS e pede o seu afastamento.

