Ao contrário de outras autoridades, que condenaram ontem ou hoje pela manhã os atos de vandalismo no centro de Brasília, o presidente Jair Bolsonaro se mantém em silêncio público. Mas a interlocutores ele deu diferentes versões.
Procurado por aliados e instado a condenar as ações de seus apoiadores na capital federal, Bolsonaro inicialmente disse que era a revolta do povo. Depois, a depender do interlocutor, passou a dizer “pode ser que sejam infiltrados da esquerda”.
Reservadamente, Bolsonaro já disse que quer mesmo que seus apoiadores se exponham em “ações de resistência”, sem nunca explicar exatamente o que quer dizer. É por isso que, depois de seu longo sumiço público, ele apareceu com uma declaração ambígua.
“Hoje, estamos vivendo um momento crucial, uma encruzilhada. Quem decide o meu futuro são vocês; quem decide para onde vão as Forças Armadas são vocês; quem decide para onde vai a Câmara e o Senado são vocês”, disse Bolsonaro a apoiadores no Palácio da Alvorada na semana passada.
Ontem, após a diplomação de Lula, o presidente apareceu novamente a seus apoiadores em frente ao Alvorada, mas fez silêncio.
A linguagem de Jair Bolsonaro pouco clara e seu silêncio funcionam para seus apoiadores. Em grupos bolsonaristas na internet, seu silêncio é interpretado como “anuência”.

