Há um temor generalizado na família Bolsonaro sobre os rumos das investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro, que na semana passada concluiu um laudo sobre as movimentações financeiras suspeitas no gabinete de Carlos Bolsonaro na Câmara Municipal carioca.

A suspeita é que no gabinete do vereador ocorria um esquema de recolhimento de parte do salário de assessores —parte fantasmas, parte da família da ex-mulher de Jair Bolsonaro, Ana Cristina Siqueira Valle. Houve quebra de sigilo bancário de Carlos e de outras 26 pessoas.

Ninguém na família sabe como o vereador vai reagir caso o MP avance sobre ele – pedindo, por exemplo, sua prisão. Bolsonaro sempre fez questão de dizer que os gabinetes de seus filhos eram extensões do seu em Brasília —além de Carlos, o de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Quando era deputado federal, às segundas Bolsonaro dava expediente e recebia seus apoiadores no gabinete de Carlos e às sextas no de Flávio.

Até 31 de dezembro, Bolsonaro não podia ser investigado em casos como esse, por ser presidente da República. Isso acabou. Embora isso seja pouco provável por conta do avançado das investigações, Bolsonaro poderia ser envolvido nos casos.

Em 2018, reportagem da revista Veja mostrou que na ação em que pedia pensão a Bolsonaro, Ana Cristina afirmou que o então deputado tinha uma renda de cem mil reais por mês, o que seus salários de parlamentar e capitão reformado não alcançavam.

Entre os amigos da família, diz uma fonte, todos acham pouco provável que Carlos, mesmo no pior dos cenários, como uma prisão, entregue o pai. Mas sua instabilidade emocional o torna vulnerável a cenários sombrios para a família.

Bolsonaro, já informou o Bastidor (aqui e aqui), tinha pesadelos com a possibilidade do filho zero dois ser preso. Acha Carlos emocionalmente frágil.