O pedido do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), de esclarecimento sobre os critérios de liberação de emendas pelo ministério da Saúde é o último capítulo de uma tentativa do Centrão de tirar a ministra Nísia Trindade do cargo.
O ministério e seu orçamento são tão almejados por lideranças do Congresso que, ainda em 2023, em meio às negociações sobre aumento de recursos para emendas parlamentares e a criação de um calendário para o pagamento, deputados apontaram que poderiam votar contra caso a Saúde fosse entregue ao Centrão. O governo não cedeu.
É daí, segundo um parlamentar da base envolvido na articulação política do governo, que surgiu a intransigência do relator do orçamento, Danilo Forte (União Brasil), em pontos que o presidente Lula vetou. São estes vetos que o Congresso deve derrubar assim que tiver oportunidade.
A insistência de Lira em pressionar o governo pelo ministério da Saúde foi tema de conversa de petistas com potenciais candidatos à presidência da Câmara. Como mostrou o Bastidor, o Palácio do Planalto está inclinado a apoiar Marcos Pereira (Republicanos).
Uma eventual vitória de Elmar Nascimento, apoiado por Lira, aumentaria a pressão pelo cargo ocupado hoje por Nisia, avalia o Palácio do Planalto. A relação do PT com Marcos Pereira, que foi ministro de Dilma Rousseff, cessaria a ameaça constante, segundo um articulador do governo.

