A saída de Gonçalves Dias do Gabinete de Segurança Institucional deixou Lula abatido. Para o presidente, Dias caiu numa armadilha articulada por bolsonaristas do GSI, naquele momento, ainda maioria no órgão e indicados pelo seu antecessor, Augusto Heleno.

No fim da reunião em que se selou a saída do ministro, presidente lhe deu um abraço e lhe disse que sabia de sua lealdade e ainda tinha a sua confiança. A fala do presidente contrasta com a narrativa de deputados petistas, que espalharam a versão de quebra de confiança de Dias, que teria dito não haver imagens suas do dia 8.

Como o Bastidor adiantou, Lula foi informado pelo próprio ministro da ida ao Palácio do Planalto durante a invasão, mas não tinha visto as imagens.

O abatimento de Lula se explica pela antiga relação com o general da reserva. Gonçalves Dias acompanha o presidente desde os seus primeiros mandatos, entre 2003 e 2010. Foi o responsável pela segurança do presidente, o que se repetiu durante a campanha eleitoral do ano passado.

Dias serviu de interlocutor de Lula e sua campanha com oficiais graduados durante o governo Bolsonaro, quando o petista tinha dificuldade de furar o bloqueio da simpatia da caserna pelo ex-presidente.