Desde que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, garantiu a líderes do PT que tentaria segurar a instalação da CPMI do 8 de janeiro, o governo entrou em campo para esvaziá-la.
O governo está oferecendo liberação de emendas parlamentares e nomeações de indicados a cargos nos segundo e terceiro escalões, para deputados e senadores que toparem retirar assinaturas do requerimento de criação.
O ministro da Secretária de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, abrirá este mês o balcão para que parlamentares cadastrem as propostas de emendas individuais. O governo vai usar para isso R$ 3 bilhões que estavam retidos desde o governo Bolsonaro. As nomeações também devem ser aceleradas.
O Planalto conta também com a formação dos dois blocos parlamentares: os partidos podem atuar conjuntamente na retirada de assinaturas do requerimento protocolado por deputados bolsonaristas.
O governo mira deputados do PSD, União Brasil, Republicanos, MDB e PP, em uma tentativa de isolar os parlamentares mais radicais.
A oposição diz que o plano do governo é retirar as assinaturas na véspera da próxima sessão do Congresso, na terça (18) quando o requerimento seria lido. A ação impediria a colheita de novas assinaturas.
De acordo com o deputado André Fernandes, que protocolou o pedido de CPMI, até o momento o documento conta com assinaturas de 192 deputados e 37 senadores (leia a lista abaixo). O mínimo necessário são 171 deputados e 28 senadores.
Esta não é a primeira tentativa da gestão petista de enterrar a CPMI que pretende investigar uma suposta omissão do governo no dia dos ataques às sedes dos Três Poderes. As outras fracassaram.
Ao Bastidor, um deputado da oposição disse que contra as armas do governo só resta divulgar nas redes sociais os nomes dos parlamentares que retirarem a assinatura do requerimento.

