Em uma declaração nesta sexta-feira, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michele Bachelet, denunciou violações dos mais diversos tipos durante a guerra na Ucrânia. Segundo ela, tropas russas têm promovido execuções sumárias, estupros, prisões arbitrárias, ataques indiscriminados e vários outros crimes.
Até o momento, a ONU contabiliza oficialmente 2.345 civis mortos e outros 2.919 feridos. No entanto, os números são altamente subestimados, porque tem sido muito difícil manter uma contabilidade precisa.
Na cidade de Bucha, representantes da ONU documentaram o assassinato de ao menos 50 civis. Alguns foram por execução. As imagens dos corpos jogados no chão repercutiram em todo o mundo. A Rússia negou que as forças armadas do país tivessem matado os civis, mas imagens de satélite colocaram dúvidas sobre essa versão.
“Quase todos os moradores de Bucha com quem nossos colegas conversaram nos contaram sobre a morte de um parente, um vizinho ou até um estranho. Sabemos que muito mais precisa ser feito para descobrir o que aconteceu lá e também sabemos que Bucha não é um incidente isolado”, disse Bachelet. Foram recebidas cerca de 300 denúncias de assassinatos de civis em Kiev, Chernihiv, Kharkiv e Sumy.
Consequências mortais
Ataques a serviços de saúde podem ter provocado a morte de ao menos 3 mil pessoas. Isso porque pessoas que precisavam de auxílio não conseguiram encontrar ajuda. Desde o início da guerra, foram contabilizados 114 ataques a estabelecimentos médicos.
O Comitê de Direitos Humanos da ONU recebeu 75 denúncias de estupros realizados por soldados russos contra mulheres, homens, meninas e meninos. A maioria foi na região de Kiev. Há também relatos de prisões arbitrárias de civis. Ao menos 155 pessoas, entre jornalistas, ativistas e defensores de direitos humanos foram detidos por tropas russas, segundo a ONU.
Entre os 155 detidos, cinco pessoas que foram consideradas como desaparecidas apareceram mortas posteriormente. Há relatos de maus-tratos, tortura e prisão em locais superlotados.
As prisões arbitrárias também acontecem do lado ucraniano. Parentes afirmam que não conseguem contato com quem foi detido pelas tropas comandadas por Volodymyr Zelensky.
Ataques indiscriminados
O alto número de baixas entre civis se deve principalmente aos ataques indiscriminados, como o que aconteceu a uma estação de trem em Kramatorsk, há duas semanas. A explosão de um míssil deixou 60 civis mortos e outros 111 feridos.
Para Bachelet, esse tipo de ataque pode corresponder a um crime de guerra e precisa ser investigado.
Devastação em larga escala
Desde o início da guerra, a Ucrânia tem sido completamente destruída pelas tropas russas. Diversos equipamentos públicos foram bombardeados, incluindo hospitais, escolas e sistemas de tratamento de água. A ONU estima que um quarto da população esteja passando algum tipo de necessidade.
Segundo a ONU, a média é de 22 escolas destruídas por dia. Já os danos causados ao sistema de distribuição de água deixaram 6 milhões de pessoas sem acesso regular ao serviço.
Mais de 5 milhões de refugiados
Enquanto a guerra continua, o número de refugiados só faz subir. Segundo a última contabilidade da ONU, 5,1 milhões de pessoas deixaram o país e mais de 12 milhões deixaram as áreas em que moravam, mas ainda permaneceram na Ucrânia.
Um dos desafios que devem surgir agora é o retorno dessas pessoas para casa. Parte deles voltará a territórios completamente destruídos, enquanto muitos perderam as casas em bombardeios.
Os representantes de várias agências da ONU têm implorado pelo fim da guerra, mas os ataques parecem longe de se encerrar. Enquanto algumas áreas como a capital viram os bombardeios se reduzirem, a área leste da Ucrânia tem sido cada vez mais atacada pelos dois exércitos.

