A maior parte da bancada do PL na Câmara, ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, votará contra o novo arcabouço fiscal – tanto na urgência, quanto no mérito. O cenário só mudará se sugestões do partido forem incorporadas ao texto.
Alguns deputados da legenda chegaram a sinalizar que pontos defendidos pelo partido foram parcialmente atendidos pelo relator do texto, Claudio Cajado (PP-BA), e pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT). Mas foi insuficiente. A posição majoritária dos parlamentares foi contra a matéria numa reunião nesta terça.
Entre as principais divergências estão as possíveis punições ao governo federal em caso de não cumprimento das metas. Deputados consideram brandas e defendem a manutenção do teto de gastos aos moldes do que existia no governo do ex-presidente Michel Temer (MDB). Houve também dúvidas sobre a origem das receitas e questionamentos em relação ao fim de isenções fiscais.
O governo, o relator e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), esperam que a urgência seja votada nesta quarta-feira (17) para que a matéria chegue ao plenário na próxima semana.
A posição do PL não surpreende, mas Cajado acreditava que as mudanças feitas no substitutivo fossem suficientes para agradar o partido. As considerações do relator foram levadas à reunião da bancada nesta terça-feira (16), mas os deputados menos bolsonaristas e aqueles que buscam alguma aproximação com o governo acabaram derrotados.
Mesmo na oposição, o PL admite que o governo deve ter de 20 a 30 votos favoráveis da legenda ao novo arcabouço fiscal. O partido conta com 99 deputados.
Já pelo lado do governo, como mostrou O Bastidor, após chegar a um acordo com a base aliada e partidos do Centrão, há otimismo na aprovação por uma boa margem.

