Além da pressão sobre a articulação política do governo Lula, os acenos de Arthur Lira (PP-AL) ao bolsonarismo da Câmara nos últimos dias têm como pano de fundo a consolidação da candidatura de Elmar Nascimento (União Brasil-BA) para sucedê-lo na presidência.
Lira deu a Rodrigo Valadares (União Brasil-SE) a relatoria de uma PEC que pode anistiar os presos pela invasão das sedes dos Três Poderes no dia 8 de janeiro de 2023. O deputado é do partido de Elmar, apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro e tem boa relação com os parlamentares do PL.
O presidente da Câmara também criou um grupo de trabalho para regulamentar as redes sociais e combater as fake news com vários apoiadores do ex-presidente.
Lira retomou um projeto de 2016 que proíbe a validação de delações premiadas fechadas com presos e criminaliza a divulgação do conteúdo dos depoimentos que pode beneficiar Bolsonaro no caso que envolve o seu ex-ajudante de ordens Mauro Cid.
Lira pretendia anunciar o seu candidato só em setembro, conforme disse a aliados. Antecipou para agosto para evitar o crescimento de adversários, em especial Marcos Pereira (Republicanos-SP) e Antônio Brito (PSD-BA).
Os acenos do presidente da Câmara levaram em consideração a insatisfação de parte dos bolsonaristas com ele. O Bastidor ouviu reclamações sobre o que chamam de “truculência” de Lira: não publica pauta e muitas vezes convoca deputados para Brasília para não votar nada.
Elmar e Lira perceberam que estavam perdendo terreno e resolveram acelerar movimentos.

