Após evitar falar para a Polícia Federal, na quinta-feira (22), Jair Bolsonaro foi cuidadoso ao se dirigir aos bolsonaristas neste domingo, em evento na avenida Paulista, em São Paulo. Teve o cuidado de terceirizar a parte mais agressiva do conteúdo para o pastor Silas Malafaia, patrocinador do evento.

Ciente da ameaça de prisão, Bolsonaro não citou nomes, não criticou fortemente qualquer instituição. Repetiu o mantra: Deus, Pátria e Família e fez o papel de vítima diante da multidão.

“O que é golpe? É tanque na rua. É conspiração. É trazer a elite política e empresarial para o seu lado. Nada foi feito. Golpe usando a Constituição?!”, afirmou Bolsonaro. Tentou dizer que querer impor Estado de Sítio não é golpismo, pois há outras instituições verificando o respeito à democracia.

O que Bolsonaro não podia falar foi dito pelo por Malafaia e pelos deputados federais Nikolas Ferreira e Gustavo Gayer. Os três vociferaram contra o STF e a política tradicional (com foco no PT).

Partiram de Malafaia os ataques mais diretos. Financiador do evento, ele pintou Bolsonaro como vítima de um golpe da política para afasta-lo das urnas. Criticou a proximidade do ministro Alexandre de Moraes, responsável pelos inquéritos contra Bolsonaro, com o PSDB.

Malafaia repetiu diversas vezes não temer ser preso e questionou a lisura e a imparcialidade do Supremo Tribunal Federal. Aproveitou também para criticar Lula, por conta da fala que relacionou ataques de Israel em Gaza ao Holocausto.

Por meio de Malafaia, Bolsonaro conseguiu falar a seu público sem ser preso. Diante de suas impossibilidades, foi o possível.