Influente entre os petistas, o ex-ministro José Dirceu tem mantido muitas conversas com aliados para que seus conselhos sobre os rumos do governo cheguem a Lula. A dificuldade de cumprir a missão, diz um petista, é que a lista dos que o presidente ouve é restritíssima.
Uma das sugestões de Dirceu é para que Lula fale mais e de maneira direta à nação. Cita o ex-presidente Jair Bolsonaro, que adotou a estratégia e foi bem sucedido. A crítica no PT é que antes Lula precisa encontrar a plataforma correta.
José Dirceu concorda com as críticas à política de juros altos do Banco Central – segundo sua avaliação, juros altos inviabilizam a reindustrialização necessária ao Brasil. Mas acha que Lula não deveria brigar nominalmente com Roberto Campos Neto.
Acha que, quando o presidente da República personaliza a crítica, dá importância política aos personagens criticados, o que os fortalece em vez de enfraquecer. O movimento para tirar Campos Neto do BC, aconselha, tem de ocorrer no bastidor.
Dirceu também tem dito que Lula faz bem ao tentar atrair empresários, principalmente do setor produtivo, para formar alianças à esquerda e à direita democrática e aprovar no Congresso reformas estruturais necessárias, como a tributária.
Acrescenta que Lula tem de incluir o setor produtivo nas discussões, para pressionar deputados e senadores sobre a urgência do tema. Precisa ser este ano, diz. Para ele, o Brasil não está livre do risco de tumultos sociais, a exemplo do que tem ocorrido nos países da América do Sul.
A aliados, José Dirceu também tem lamentado os ataques públicos de petistas ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Acha que é uma luta fratricida que em nada ajuda o governo neste começo.

