Nas particulares condições do Brasil em 2022, até a posse de presidente do Tribunal Superior Eleitoral se torna movimento relevante de campanha eleitoral. Assim, a cerimônia de entrada de Alexandre de Moraes repercutiu no segundo dia de campanha. Desdenhada por bolsonaristas, foi comemorada por petistas.

Por um enorme acaso, a posse colocou Jair Bolsonaro e Lula frente a frente, separados por três metros de distância. Pode ser o único encontro presencial entre os dois no primeiro turno – as perspectivas de um debate são reduzidas.

Como previsto, a posse foi desfavorável a Bolsonaro. Moraes fez um discurso em defesa da democracia e do sistema eleitoral, com indiretas às milícias digitais bolsonaristas. O presidente era minoria num ambiente onde o apoio à normalidade era amplo e dominante. Fora do Palácio do Planalto, do cercadinho do Alvorada ou de ambientes controlados com apoiadores, Bolsonaro não fica à vontade.

Os petistas gostaram e celebraram a cerimônia nesta quarta devido ao clima criado. Assim como a leitura dos manifestos em prol da democracia, na semana passada, a posse de Moraes mostrou um terreno hostil à ideia de Bolsonaro de tumultuar a eleição, promover manifestações e contestar um eventual resultado desfavorável.

Ficou mais caro para Bolsonaro colocar em prática uma versão brasileira do 6 de janeiro de 2020 de Donald Trump em Washington. Foi mais uma prova de que Bolsonaro não tem apoio e nem há clima político favorável a suas iniciativas.

Os petistas festejam isso. Para os bolsonaristas, a cerimônia foi uma festa do inimigo sem importância.