Não se engane: as coisas não estão normais no Brasil nesta quarta-feira. Grupos de golpistas partidários de Jair Bolsonaro, que perpetraram a barbárie de domingo em Brasília, convocam para o final da tarde protestos em diversas capitais. Portanto, não acabou: o estado democrático de direito no Brasil ainda está sob ataque.
As determinações expedidas nesta quarta-feira pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, pra que as autoridades desobstruam eventuais bloqueios em ruas e estradas, prendem e multem – em resumo, atuem como devem – mostram que os bolsonaristas radicais agora são o inimigo.
Os bolsonaristas não têm uma grande organização, acreditam em lorotas inacreditáveis, espalham mentiras impossíveis e não têm apoio das Forças Armadas. Mas contam com financiamento, conivência de parte de forças militares e nenhum juízo. Isto é um perigo.
O governo Lula não corre risco de golpe. Mas o bolsonarismo radical e golpista passou do ponto de ser apenas uma doença de ocasião: se não for combatido como deve, pode se tornar um problema crônico, de longo prazo, para a democracia brasileira. Nenhum governo brasileiro da era democrática teve de lidar com uma oposição terrorista, contrária ao Estado.

