Os movimentos de Jair Bolsonaro durante a semana são parte de uma estratégia de sobrevivência política. Bolsonaro pregou contra a reforma tributária e esteve em uma conversa de parlamentares com o embaixador de Israel, Daniel Zonshine.
Apesar do interesse de Valdemar Costa Neto, dono do PL, de privilegiar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em detrimento de seu marido nas eleições municipais, dificilmente Bolsonaro aceitará o papel de coadjuvante.
Ele foi aconselhado por seus aliados mais fiéis a se manter ativo para garantir a manutenção de seu capital político-eleitoral e ter força para influenciar na escolha de candidatos do PL e até ter uma carreira daqui duas eleições.
Uma forma de garantir que seus apoiadores se mantenham “é se movimentar”, como disse ao Bastidor desses aliados.
Do ponto de vista prático, a atuação de Bolsonaro nada influenciou. A reforma tributária passou pelo Senado, e, do encontro do embaixador, nada resultou a não ser uma tentativa de Zonshine de se afastar do ex-presidente.
Mas, para os bolsonaristas, as duas ações foram bem-sucedidas: a resposta de seus seguidores mais fiéis aos movimentos foi positiva.
Os bolsonaristas do PP e o PL do Senado votaram unidos contra o texto da reforma, com exceção de Ciro Nogueira (PP-PI) e Laercio Oliveira (SE).
E, no fim, o embaixador de Israel, mesmo tentando se distanciar, saiu dizendo em entrevista que, se o Hezbollah tem interesse em recrutar gente no Brasil para atacar israelenses, é porque “há gente que os ajude”.
A fala corrobora as narrativas bolsonaristas de que a esquerda é ligada ao Hamas e ao Hezbollah.
A campanha municipal também será usada para que o ex-presidente assuma papel de vítima de perseguição política no Brasil.
Ele precisa garantir que sua militância permaneça movimentada. Seu exemplo é o PT e Lula, que garantiram durante a prisão do presidente a permanência de militantes do lado de fora da cadeia, além de frequentes visitas políticas. Lula voltou a Presidência da República. Bolsonaro sabe que a prisão é uma possibilidade concreta.

