Como o Bastidor noticiou no domingo, aumentaram as tratativas no governo e entre aliados para buscar um substituto a Marcelo Queiroga. A ala militar, ministros civis mais próximos do presidente e o centrão avaliam que o ministro da Saúde não tem mais condições de ficar no cargo.
Além de Rodrigo Cruz, atual número dois da pasta, que tem apoio de Tarcísio de Freitas e de parte do centrão, outros dois nomes surgiram com mais forças em conversas recentes no Planalto e no Congresso.
Flávio Bolsonaro defendeu a pessoas próximas e ao pai a nomeação de Hélio Angotti, atual secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde. É um cargo estratégico na estrutura da pasta.
Angotti agrada a base ideológica de Bolsonaro e, mesmo após dois anos de pandemia, não tem medo de comprar briga, como se viu no caso recente da defesa da hidroxicloroquina e ataque às vacinas. Para bolsonaristas, a postura de Angotti é um ativo, não um problema. A família presidencial o considera um soldado leal.
Embora o centrão e os ministros civis dividam-se acerca do melhor nome, são contrários à indicação de Angotti. Avaliam que, se levada a cabo, a nomeação dele causará desgaste desnecessário e acarretará prejuízos eleitorais à campanha de Bolsonaro.
Em conversas reservadas, Arthur Lira sugeriu o nome de Adeilson Loureiro, seu conterrâneo. Adeilson é um velho conhecido do Ministério da Saúde, onde foi secretário-executivo. Conta com a confiança irrestrita do presidente da Câmara.
Nos diálogos entre chefes partidários e ministros, prevalece a premissa de que Queiroga deixará o governo. Provavelmente, afirmam, mediante o anúncio de que apenas “antecipará” a saída – ele pretende ser candidato a deputado na Paraíba.
Esses aliados não sabem, contudo, se Bolsonaro ouvirá os conselhos quanto ao melhor perfil de nome para um substituto de Queiroga, caso este de fato seja apeado do cargo.
Como a pandemia é um dos grandes temas de sua base, o presidente não abdica do controle do Ministério da Saúde. Bolsonaro, apesar das experiências fracassadas com Queiroga e seus antecessores, segue querendo o impossível: ter um ministro que acolha suas vontades, mas que não crie encrencas políticas – e jurídicas – em função dessa obediência inconteste.

