As conversas sobre a possível ida de Tarcísio de Freitas para o PL de Jair Bolsonaro intensificaram-se nas últimas semanas, mas ocorrem com frequência há pouco mais de dois meses. O governador de São Paulo, segundo uma fonte próxima ao ex-presidente, está decidido a deixar o Republicanos desde o ano passado.
Faltava a Tarcísio, no entanto, convicção sobre o destino. Uma possibilidade forte sempre foi o PP, de Ciro Nogueira e Arthur Lira, com a promessa de ser candidato a presidente em 2026 ou 2030. Muitos aliados consideram a opção melhor do que o PL.
Gilberto Kassab, por exemplo, avalia ser um erro o governador cair nos braços do bolsonarismo. Acredita que Tarcísio viraria refém do ex-presidente, com o risco frequente de ter que administrar crises criadas por Bolsonaro, filhos e aliados implicados em investigações.
A insatisfação com a direção do Republicanos, a possibilidade de o PP formar uma federação com o partido presidido por Marcos Pereira e um pedido de Bolsonaro nos últimos dias fizeram Tarcísio pesar para o PL do ex-presidente.
O que se busca, agora, é uma “janela política” para o anúncio da saída do Republicanos, segundo um aliado próximo de Bolsonaro. Cogitou-se usar o ato bolsonarista na Paulista no dia 25 de fevereiro para tratar da novidade, mas conselheiros do ex-presidente descartaram sob o risco de tirar o foco do objetivo principal da manifestação.
Interessa ao PL, além do potencial de votos de Tarcísio, a relação saudável que ele mantém com o governo Lula. O partido, de maioria bolsonarista, busca canais de diálogo com os outros poderes.

