No início da semana, Arthur Lira afirmou a empresários em São Paulo que faltava a Lula uma base para chamar de sua na Câmara. É verdade. Juntando PT, PCdoB, PV, Rede, PSB, Psol, PDT e Solidariedade, que declararam apoio ao presidente, são 130 deputados de um universo de 513.
É tão pouca gente que o número é insuficiente para sequer dar quórum no plenário para votar um projeto de lei. São necessários 257 deputados presentes iniciar uma votação de uma proposta simples. Piora se o projeto for uma emenda à Constituição. Para aprovar uma PEC, o número mínimo de votos (e não de presentes) é de 308.
Mesmo dentro dos partidos que apoiam Lula há gente que não vota em qualquer projeto que o governo enviar. Deputados do Psol, uma sigla mais à esquerda do grupo, não aceitarão o que entenderem se tratar de perda de direitos, por exemplo.
Mas Lula não é o único numa situação ruim em se tratando de base no Congresso. Arthur Lira, reconduzido para o comando da Câmara, admitiu a aliados que não sabe exatamente quantos votos tem para entregar numa votação. Lira disse que ainda precisa “calibrar” a base para saber efetivamente o número de seus apoiadores mais fiéis.
Antes, Arthur Lira controlava o orçamento secreto, por meio do qual cooptava os parlamentares. A partir deste ano, porém, o controle sobre as emendas mudou de mãos.
Agora são os líderes de bancada que controlam 80% do que eram as emendas do relator. Apenas 15% permanecem nas mãos de Lira e de Rodrigo Pacheco, presidente do Senado. A nova realidade vai exigir de Lira articulação, a exemplo de Lula.
Normalmente, as lideranças de bancada no Congresso são definidas pelos comandos dos partidos.
Os aliados de Lira acreditam, porém, que logo ele conseguirá formar uma maioria. A formação de uma federação do seu partido, o PP, e o União Brasil é parte de seu projeto.

