O entorno de Lula vê com preocupação as declarações da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, em evento da CNBB na segunda-feira (22) e publicada em suas redes sociais. Marina afirmou que o presidente assumiu compromisso de proteger os povos indígenas e fortalecer o Ibama.

A declaração ocorreu no mesmo dia em que Lula, no Japão, disse que trataria na volta da questão entre o Ibama e a Petrobras pela exploração de petróleo na foz do rio Amazonas. Segundo fontes do governo disseram ao Bastidor, a tendência é que, nesta disputa, Marina Silva perca para Alexandre Silveira (Minas e Energia), o líder do governo, Randolfe Rodrigues (sem partido-AP) e Petrobras.

Ao publicizar suas declarações em meio à disputa entre Ibama e Petrobras, Marina se pinta para briga, avaliam auxiliares do presidente. É uma das preocupações de Lula, que já viveu a história antes.

Em 2008, o presidente reclamou do que classificou como “espetacularização” a forma como a ministra anunciou sua saída do governo. Em vez de conversar com ele, Marina avisou à imprensa e lhe enviou um comunicado.

Lula estava numa recepção ao chanceler austríaco da época tratando justamente da pauta ambiental. Enquanto os rumores da demissão circulavam por Brasília, José Múcio, então ministro das Relações Institucionais —hoje ministro da Defesa—, tentava falar com a ministra, que o não atendia. Com ares dramáticos, o dia encerrou com a saída de Marina do governo. À época, Lula considerou deslealdade.

O tempo passou. Lula nunca esqueceu – nem Marina, que na ocasião considerou que havia perdido a condição de permanecer porque perdeu a disputa contra a construção da usina de Belo Monte. A disputa agora tem o mesmo cenário de preservação do meio ambiente contra um empreendimento que promete desenvolvimento econômico.

Antes de deixar o Japão, o presidente avisou seus auxiliares que quer encontrar a ministra. Também pretende encontrar a ministra Sônia Guajajara (Povos Indígenas). Ele não quer deixar as disputas entre Ibama e Petrobras e Meio Ambiente e Minas e Energia contaminarem sua relação com Marina, que ele considera relevante ao governo.