Nos últimos dias de uma campanha eleitoral, observar a movimentação de aliados e apoiadores pode ser tão importante quanto ler os resultados de pesquisas de intenção de voto. Assim como os números, esses movimentos são desfavoráveis ao presidente Jair Bolsonaro esta semana.

Política não é coisa para pessoas sensíveis; campanhas eleitorais menos ainda. Aliados e apoiadores o são até que deixam de ser, diante de evidências de que não há mais perspectiva de poder. Nesta hora, o candidato começa a ser abandonado.

Nesta quarta, integrantes da campanha de Bolsonaro procuraram bolsonaristas que foram ao jantar em que o grupo Esfera reuniu cerca de 100 empresários para ouvir Lula, em São Paulo. Sinais são fundamentais. Só o fato de gente como Flávio Rocha, da Riachuelo, ter ido ao encontro revela como muitos enxergam a vitória de Lula ali na frente.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, é desses políticos que sobrevivem pela habilidade de colar a qualquer governo e pelo talento de sentir cheiro de derrota a centenas de quilômetros de distância. Pois Valdemar esteve nesta quarta no Tribunal Superior Eleitoral e disse que não existe “sala secreta” de apuração. É óbvio, mas uma contradição com o que diz seu candidato, o presidente Jair Bolsonaro.

Valdemar também já disse ao presidente do TSE, Alexandre de Moraes, que confia nas urnas eletrônicas – ao contrário de seu candidato. Também já abre portas para conversar com Lula, já que vai eleger uma grande bancada. Valdemar abraçou Bolsonaro no PL. Fará uma grande bancada de deputados. Se Bolsonaro perder, abraçará Lula. E assim sua vida segue.

A movimentação do mundo político e empresarial é simples. A quatro dias da eleição, quem quer estar junto ao poder já enxerga um futuro com Lula e se movimenta para isso. Bolsonaro vai sendo deixado de lado. O jogo é bruto, não para pessoas sensíveis.