Não é só a CPMI do 8 de janeiro que mira o governo Lula no Congresso. O requerimento para abrir uma CPI destinada a investigar a atuação de ONGs internacionais na Amazônia e sua relação com o governo, já foi lido pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD).

O objetivo, segundo o senador Plínio Valério (PSDB-AM), autor do pedido, é investigar essas organizações de 2002 até o final de 2022.

A CPI surge logo depois da forte repressão do governo contra o garimpo ilegal em reservas indígenas, incentivado durante a gestão Bolsonaro. Parte dos parlamentares da região Norte evita falar em público em favor dos garimpos em terras indígenas.

Parlamentares que apoiam a abertura da CPI citam interesses dos Estados Unidos, da União Europeia e de George Soros na atuação das ONGs na Amazônia. O discurso, antigo, nunca foi comprovado.

Alegam que há grandes reservas de minérios justamente onde são demarcadas as terras indígenas e acusam empresas e governos estrangeiros de explorar as regiões sem controle do Estado brasileiro, já que atuam sob o manto de ONGs ambientais.

Entra também na discussão a possibilidade de os próprios indígenas explorarem os territórios, como sempre defendeu Bolsonaro. A oposição diz que mais de 370 ONGs atuam só na região do alto do Rio Negro.

O governo, que não conseguiu evitar a CPI, agora tenta retardar sua instalação e indicar o maior número de aliados possível para a comissão. Pelo regimento, são os maiores blocos formados no Senado que indicam a maior parte dos membros.