De olho em manter o Ministério do Turismo, o União Brasil espalha a versão de que o conflito interno – que culminou na saída de Wagner Carneiro, prefeito de Belford Roxo, e no pedido de desfiliação de sua esposa, a ministra Daniela – representa uma oportunidade para o governo Lula melhorar a relação com o partido.

A percepção entre os aliados do petista é que o União Brasil não entregou, e nem entregará, todos os votos disponíveis. O problema está na origem da legenda que uniu PSL, ex-partido de Jair Bolsonaro, e o DEM, opositor histórico do PT.

A entrada do partido no superbloco com PP, PSB e PDT foi vista por parte do governo com alívio, já que por ora isolou o radicalismo bolsonarista do PL.

Agora, a provável saída de Daniela do Waguinho do União, diz um dirigente da legenda, abre espaço para o governo indicar algum nome que tenha aprovação da maior parte da bancada na Câmara.

“Aí vai poder cobrar a fatura [os votos] do partido na Câmara e sair daquela coisa do ‘você finge que me engana e eu finjo que acredito’”, afirmou o dirigente ao Bastidor. “Pode ser a oportunidade que faltava para solidificar a relação com o líder do partido na Câmara, Elmar Nascimento”.

O governo sabe, no entanto, que não basta agradar Elmar, que veio do DEM. O presidente nacional do União, Luciano Bivar, egresso do PSL, também quer uma participação direta na gestão petista.

Além do Ministério do Turismo, o UB tem o ministério das Comunicações, com Juscelino Filho, e Waldez Góes no Desenvolvimento Regional.