O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, ouviu os conselhos que recebeu discretamente de ministros do Supremo e se posicionou publicamente como presidente do Congresso perante a corte. Defendeu, em declarações, a democracia e harmonia entre os Poderes. Foi além do que costuma dizer.

Posicionou-se, portanto, como mediador qualificado entre a cúpula do Executivo (Bolsonaro) e a cúpula do Judiciário (Luiz Fux), de modo a tentar desarmar as duas partes. Ainda que não dê certo, Pacheco ganhou capital político por agir conforme a maioria de seus pares e os ministro do Supremo esperam.

Pacheco pediu agenda e se reuniu há pouco (meia dia de quarta) com Fux. Quis se antecipar ao encontro que o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, terá – ou teria – com o presidente do Supremo, cujo propósito era o mesmo. Pacheco foi aconselhado a se posicionar, sob o risco de perder uma oportunidade de agir na crise – em vez de ser obrigado a agir, como aconteceu nos últimos meses.

Como o Bastidor noticiou, Bolsonaro não gostou da conotação que o encontro de Ciro com Fux passou a ter nos últimos dias – de um gesto de conciliação do Planalto com o Supremo. A conversa de Pacheco com o presidente do Supremo, e a subsequente coletiva do presidente do Senado às portas do tribunal, esvaziou a articulação de Ciro.