O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), convenceu o presidente Lula a fazer reuniões semanais ou quinzenais com líderes partidários do Congresso.
Oficialmente, o objetivo é aproximar o governo dos parlamentares e melhorar uma relação tumultuada e baseada na desconfiança dos dois lados.
Nos bastidores, no entanto, a interpretação é outra: próximo de Arthur Lira (PP-AL), Guimarães contou com o aval do presidente da Câmara para sugerir os encontros que, de alguma forma, atropelam o trabalho do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha – na teoria, o principal responsável pela articulação política do governo.
O Bastidor já mostrou que o Palácio do Planalto sabe que Guimarães almeja o cargo de Padilha. Seria essa, inclusive, a vontade de Lira, de quem Guimarães recebe muitos elogios – e, por isso, é visto no governo como mais ligado a ele do que a Lula.
Na quarta-feira (28), quando anunciou que Lula havia concordado com as reuniões, Guimarães reconheceu a importância do presidente da Câmara nas aprovações da PEC da Transição, da MP dos Ministérios e na tramitação do texto do novo arcabouço fiscal e da reforma tributária.
O petista também citou Padilha, mas reforçou que a relação com os potenciais aliados tem que mudar.
“O ministro Padilha é quem tem a responsabilidade de comandar articulação pública do governo nas duas Casas. Mas é bom o presidente estar próximo dos líderes”, afirmou. “Eu acho que é uma mudança muito substantiva o que aconteceu nesse semestre. Nós queremos aprimorar na relação do Executivo com a Câmara”.

