O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu mais 60 dias para que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal encerrem um inquérito aberto contra o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e o deputado federal Pedro Paulo (PSD-RJ). Na mesma decisão, o magistrado negou um pedido da defesa dos dois, para que o caso fosse arquivado.

Os dois políticos são suspeitos de terem recebido propina da Odebrecht, por meio de doações de campanha irregulares. O caso veio à tona com as delações realizadas por executivos da empresa e decorrem do acordo de leniência firmado entre a companhia e o poder público.

Mendonça afirmou que o caso é bastante complexo e houve diversas intercorrências durante o andamento das investigações. Por isso, a apuração tem se arrastado a passos lentos, desde 2017. Para a defesa do prefeito, essa demora é inaceitável.

Por esse mesmo motivo, Mendonça afirmou que esta será a última vez que determinará a prorrogação do prazo. Os investigadores terão que encerrar os trabalhos, enquanto o MPF precisará avaliar se apresenta ou não uma denúncia contra Paes e Pedro Paulo.

Curiosamente, porém, Mendonça não tratou na decisão sobre a ordem do colega, ministro Dias Toffoli, de considerar imprestáveis todas as provas da delação dos executivos da Odebrecht.

Outro ponto importante a ser destacado é que o encerramento do inquérito se dará em maio, quando a campanha para a reeleição de Paes já estará ainda mais avançada. Uma eventual denúncia poderá municiar os opositores do prefeito às vésperas da disputa.