O ministro da Economia, Paulo Guedes, determinou a seus subordinados Esteves Colnago, da Secretaria do Tesouro e Orçamento, e Ariosto Antunes Culau, da Secretaria de Orçamento Federal, que posterguem o máximo possível a implantação das medidas da PEC Kamikaze.
Na prática, isso significa que o Congresso pode aprovar o que quiser, mas sem o trabalho das duas Secretarias o dinheiro não chega à ponta. Enquanto o presidente Jair Bolsonaro e seus aliados do Centrão correm para que benefícios como o aumento do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 mensais cheguem à população para ter mais votos, Guedes manda pisar no freio.
O ministro tem se mantido em silêncio e determinou o mesmo a seus subordinados, como informou o Bastidor sobre a aprovação da PEC Kamikaze. Segundo fontes do Ministério da Economia, ele está preocupado com sua biografia.
Guedes teme que ocorra a tal “farra do boi” com as despesas públicas e, no fim, o presidente Jair Bolsonaro não seja reeleito. Neste cenário, sua biografia estaria para sempre manchada.
Paulo Guedes prefere que as secretarias acompanhem e segurem o máximo possível o dinheiro para que haja tempo de confirmar que a medida, de fato, faça diferença na possível reeleição de Jair Bolsonaro.
O combustível por trás disso é a disputa de poder entre o ministro e o presidente da Câmara, Arthur Lira, pelo orçamento. Lira é um dos articuladores da PEC, que consumirá R$ 41 bilhões – fora do teto de gastos – em apenas cinco meses este ano. Guedes, como definiu uma fonte da Economia, não quer “colocar azeitona na empada dos outros”.
Para Paulo Guedes, a PEC Kamikaze ajudará na reeleição dos parlamentares do Centrão no primeiro turno, colocará a economia brasileira em risco e não garantirá a reeleição do presidente. “Não vale o risco e o custo”, tem dito internamente.

