A evolução digital da Saúde Pública brasileira não recebe a atenção que deveria da cúpula do Ministério da Saúde. A constatação é apresentada em relatório do TCU para acompanhamento dos atos da pasta (a partir de 2018) relacionados ao desenvolvimento de sistemas de informação. A análise desse parecer foi realizada pelos ministros no último dia 15.
Eles até enxergaram avanços promovidos pela pasta, mas consideraram que ainda há muito o que melhorar. Para tentar auxiliar a Saúde, sugeriram que a Secretaria de Fiscalização de TI da corte ajude os técnicos da pasta, que têm apresentado “resultados pelas suas iniciativas próprias, com base na sua visão, sem o apoio explícito e formal da alta administração”.
Segundo os analistas do TCU, além da falta de interesse da direção da Saúde, o comitê criado para tratar do assunto “não avalia, direciona e monitora a gestão da TI”. Os técnicos também alertaram que a gestão dos riscos decorrentes da digitalização não são discutidos nunca.
A unificação dos sistemas de informação relacionados ao Sistema Único de Saúde foi um dos problemas enfrentados pelo Brasil durante a pandemia. O tema sempre era citado pelo então ministro Luiz Henrique Mandetta a cada novo erro na contabilização de infectados e mortos ou pela demora na divulgação dos dados.
Nos últimos meses, os bancos de dados e sistemas do SUS também foram alvo de sucessivas e exitosas invasões digitais. O Ministério da Saúde não tem uma política efetiva de defesa cibernética.

