As negociações frustradas entre a Pfizer e os militares do Ministério da Saúde assustaram os executivos da gigante americana. Há detalhes mantidos sob sigilo, para eventual uso judicial – a Pfizer criou um forte sistema de compliance para agir em países como Brasil.
“Stay away from these guys”, orientou um dos principais executivos da farmacêutica nos Estados Unidos a um dos representantes dela no Brasil, após ouvir o relato de uma das conversas mantidas em Brasília. Uma ordem do tipo “caiam fora”.
O tom um tanto agressivo da nota de hoje do governo brasileiro não reflete, entre outros pontos, a realidade do mercado mundial de vacinas.
O Brasil precisa – ou precisava, considerando o descarrilhar das negociações – das doses da Pfizer. A Pfizer, contudo, não precisa tanto do Brasil. Há demanda abundante por sua vacina, mesmo computando a concorrência. Nos próximos dois anos, o mundo precisará de mais vacinas do que as empresas conseguirão vender.

