Jair Bolsonaro sentiu a pressão petista da viralização do vídeo do “pintou um clima”. A defesa da campanha do presidente apresentou duas ações ao Tribunal Superior Eleitoral da noite de sábado (15) até o começo da tarde deste domingo (16).
Uma já é vitoriosa: o presidente do tribunal, Alexandre de Moraes, ordenou há pouco a retirada de conteúdos descontextualizados que coloquem Bolsonaro como pedófilo. A defesa da campanha do presidente havia pedido ontem a exclusão de publicações com recortes das falas de Bolsonaro insinuando que meninas venezuelanas de “14, 15 anos” se prostituem na periferia de Brasília.
Segundo os advogados da campanha de Bolsonaro, a descontextualização é um “comportamento repulsivo e degradante”. Esse tipo de comportamento, no entendimento dos bolsonaristas, levou à segunda ação, pela suspensão dos perfis de André Janones nas redes sociais até o fim do pleito.
Para a defesa de Bolsonaro, é um erro manter a capacidade de comunicação digital do deputado, pois não é possível esperar dele “um comportamento minimamente equilibrado”. Os advogados lembram que Janones já ligou o presidente ao satanismo e ajudou a impulsionar a história que fez muitos acreditarem que o Bolsonaro comeu carne humana.
“O benefício da chapa petista à Presidência da República encontra-se nos danos à imagem do candidato Jair Bolsonaro, causados pela atuação de André Janones nas redes sociais […] O benefício de André Janones, por outro lado, reside na exposição de sua própria campanha, alavancada pela exposição gerada pela repercussão midiática e pelo engajamento dos seguidores petistas em sua empreitada”, afirmam a defesa de Bolsonaro no TSE.
A Venezuela é aqui
Em entrevista a um podcast na sexta-feira (14), Bolsonaro relatou um encontro com meninas venezuelanas em São Sebastião, na periferia de Brasília. Era mais uma repetição de seu discurso de que o Brasil pode “virar uma Venezuela” caso Lula vença as eleições:
“Parei a moto numa esquina, tirei o capacete e olhei umas menininhas, três, quatro, bonitas; de 14, 15 anos, arrumadinhas num sábado numa comunidade. E vi que eram meio parecidas. Pintou um clima, voltei, ‘posso entrar na tua casa?’ Entrei. Tinha umas 15, 20 meninas, sábado de manhã, se arrumando –todas venezuelanas. E eu pergunto: meninas bonitinhas, 14, 15 anos se arrumando num sábado para quê? Ganhar a vida”.

