Pouco antes do discurso em que nada disse, o Palácio do Planalto alertou Arthur Lira sobre o risco que ele correria de perder cargos e o controle de emendas, caso causasse incômodo a Bolsonaro na fala de hoje.

Lira e o presidente são grandes aliados, ainda que circunstanciais. O discurso foi redigido com a ajuda de Ciro Nogueira e de um gerenciador de crises. O presidente da Câmara não tinha planos de cutucar Bolsonaro. Mas o alerta do Planalto certamente ajudou a assegurar que nada transcorresse fora do esperado pelo governo.

Por enquanto, Lira não tem qualquer incentivo para nem sequer cogitar acolher um pedido de impeachment. O presidente da Câmara e outros do centrão estão muito bem, obrigado. Têm poder. Têm influência. Têm ambiente favorável em Brasília – graças, em larga parte, ao próprio Supremo – para conduzir suas atividades cotidianas. Estão se preparando para 22. Não precisam de mais nada.