A coordenação de campanha do ex-presidente Lula está dividida entre incluir ou não detalhes da proposta de política econômica no programa de governo. O documento tem de ser entregue à Justiça Eleitoral até 15 de agosto.

Uma parte da campanha de Lula defende que o projeto econômico deveria ser mais detalhado e incluído no programa de governo para tranquilizar o mercado.

Fontes ligadas ao PT dizem que outra ala defende o oposto: que o programa de governo só mencione linhas gerais no tema economia.

Pesa a favor da generalidade o fato de que ninguém sabe ao certo o tamanho do rombo nas contas públicas contratado pela gestão Bolsonaro, devido ao pacote eleitoral com aumento do auxílio emergencial sem estudo prévio, reajuste do vale gás, etc.

Os petistas sabem que o governo está tirando dinheiro da educação e de investimentos para bancar os programas assistenciais. São áreas em que o PT pretende gastar mais. Mas, antes de detalhar, é preciso ter acesso às contas, para evitar a construção de “narrativas” contra o programa petista.

Outra questão é estratégica. A insistência de Bolsonaro no discurso golpista contra as urnas eletrônicas e a Justiça Eleitoral tem ajudado a jogar o PIB nos braços de Lula. Na visão dos petistas, detalhar ideias em economia agora poderia atrapalhar este processo.

No momento, é mais forte a tendência de esperar mais algum tempo para divulgar detalhes da política econômica. Bastidor informou que Bolsonaro ordenou a a seus auxiliares que todo seu programa de governo seja genérico.