Deputados do partido Novo protocolaram na última sexta-feira (9) um requerimento de informações em que pedem ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, esclarecimentos sobre a venda de crédito do Banco do Brasil ao BTG Pactual, de André Esteves.
A ação dos parlamentares ocorre após matéria de o Bastidor mostrar que o negócio é contestado na justiça por envolver uma série de coincidências, possíveis ilegalidades e potenciais conflitos de interesse.
No requerimento enviado ao ministério da Fazenda, Adriana Ventura, Gilson Marques e Marcel van Hattem afirmam que a reportagem levanta questões graves sobre a integridade e a transparência na transação entre os bancos.
Fechada em maio, a operação repassou uma dívida que a construtora WTorre tinha com o BB à Enforce, uma gestora de créditos inadimplentes que pertence ao BTG. A garantia da dívida é a participação da WTorre no Allianz Parque, a lucrativa arena do Palmeiras.
A WTorre acusa o grupo de Esteves de cooptar funcionários públicos. Cita expressamente os nomes do ex-executivo de recuperação de crédito do Banco do Brasil e atual diretor executivo da Enforce, Antonio Leopoldo Giocondo Rossin, e dos gerentes do BB Osni Gustavo Geib e Caio Eduardo Poli Callegari.
A compra da dívida teve participação direta de Antonio Leopoldo Giocondo Rossin, executivo da Enforce, que acompanhou de perto a relação da WTorre com o BB e que, de acordo com a construtora, levou para o BTG informações privilegiadas. Ele trabalhou por 27 anos no banco público. Foi o responsável por gerir e supervisionar as linhas de financiamento da construtora. Durante seis anos, ocupou o cargo de superintendente nacional de Recuperação de Crédito no BB.
A ida de Antonio Leopoldo para o grupo BTG, em 2022, elevou ao posto de interlocutores do BB com a WTorre os gerentes Osni Geib e Caio Calegari. Esse último foi subordinado do ex-superintendente nacional de Recuperação de Crédito.
No pedido de informações, os deputados perguntam se, ao sair do BB, Antonio Leopoldo comunicou ao banco quais seriam suas atividades privadas após o exercício do cargo e quais as ações do BB para garantir que não houvesse influência indevida ou conflitos de interesse.
Os parlamentares ainda questionam pontos nebulosos da transação. Por exemplo, o quanto era a dívida da WTorre com o BB e o motivo da venda para a Enforce. Eles ainda cobram se o banco fez alguma investigação interna ou auditoria sobre as denúncias apresentadas pelo Bastidor.
Leia o requerimento:

