A interlocutores, Lula admitiu um possível erro ao dar três ministérios para MDB, PSD e União Brasil. Disse ter diminuído as chances de negociação com outras legendas – que, sabia, iriam integrar o governo.

Depois de apoiarem o governo de Jair Bolsonaro, PP e Republicanos mantêm oficialmente a posição de “neutralidade”. Ou seja: não se tornarão da base de apoio, mas não vão proibir suas bancadas de votar com o governo – ou mesmo de integrar o governo.

A dificuldade é que, sem espaço para negociar, Lula terá de tirar espaço do PT ou de aliados, como PCdoB e PSB. O problema de mexer com as pastas tocadas por petistas é que elas trabalham com políticas públicas-chave para o partido, como Saúde e o Ministério de Desenvolvimento Social, com o Bolsa Família. Além disso, há a tradicional dificuldade de fazer o PT dividir espaços, mesmo sendo dominante no governo.

Rede e Psol, com Marina Silva e Sonia Guajajara, são símbolos em suas pastas. Então, não faz sentido negociar as pastas com PP e Republicanos. Sobram PCdoB e PSB. Lula vem resistindo a mexer com os partidos.

A dificuldade do presidente ajuda a explicar o assédio sobre Ana Moser (Esporte) e Nísia Trindade (neste caso também há o orçamento de R$ 182 bilhões).

Na volta ao Brasil esta semana, Lula espera conversar com Arthur Lira e encontrar uma saída para os impasses.