O Tribunal de Contas da União (TCU) recebeu nesta terça-feira duas unidades do BYD Seal, um carro sedã de luxo da montadora chinesa, que vai de 0 a 100 km/h em apenas 3,2 segundos, de acordo com o site da empresa. Segundo a corte, a entrega do carro, em regime de comodato, foi feita após um chamamento público.

Nos últimos meses, a BYD tem feito ações como essa, em que doa veículos a autoridades. Conhecida pelos carros elétricos com preços mais acessíveis, a montadora deve iniciar as atividades industriais no Brasil depois que oficializar a compra da planta da Ford na Bahia.

Em janeiro deste ano, a BYD emprestou um carro avaliado em cerca de 500 mil reais ao Palácio do Planalto, para ser usado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo poderá ficar com o SUV Tan por um ano – terá que arcar com os custos de manutenção neste período.

O plano da montadora chinesa é usar o poder público como vitrine para os carros que vai vender no Brasil. Para os políticos, a oportunidade vai além dos carros de passeio.

A BYD investe pesado também na produção de ônibus, caminhões e trens, além de atuar no setor de geração de energia renovável. Para demonstrar capacidade, a empresa empresta ônibus urbanos elétricos e híbridos para testes em várias cidades.

Em abril do ano passado, a empresa emprestou ônibus para a prefeitura de Curitiba. Um mês depois, o prefeito Rafael Greca (PSD) anunciou a compra de 70 veículos. O contrato foi orçado em 200 milhões de reais. Os primeiros ônibus da BYD devem começar a rodar na cidade em maio.

Há três décadas, porém, a preferência da administração curitibana era pela Volvo, sobretudo depois que a montadora sueca abriu uma fábrica na capital paranaense para a produção de veículos pesados. Durante vários anos, a maior parte dos ônibus da cidade, principalmente os biarticulados do BRT, eram vendidos pela Volvo.

A GWM, outra chinesa que chegou ao Brasil recentemente, também tem feito lobby junto ao poder público. A empresa está trabalhando para reduzir impostos para importar veículos elétricos e eletrificados. Recentemente, anunciou a compra da antiga fábrica de carros da Mercedes-Benz, no interior paulista, para pagar menos tributos – o que, não necessariamente, significará preços mais baixos para o consumidor.

Além de São Paulo, a GWM atua diretamente com o governo do Espírito Santo, onde chegam as importações de veículos da empresa. O governo local tem insistido para conseguir atrair o desenvolvimento de veículos movidos a hidrogênio, apesar de a fábrica já ter sido anunciada em São Paulo.