Toda a matéria de interesse do governo —e que não queira ser derrotado— Lula terá de conversar pessoalmente com Arthur Lira. É uma tentativa de prestigiar o presidente da Câmara e de ouvir, sem intermediários, o que quer o parlamentar.
A estratégia surgiu a partir da conversa entre o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, o deputado José Guimarães, líder do governo, e Arthur Lira na segunda-feira (29). Pouco antes, Lira havia dito que o governo devia desconsiderar qualquer chance de ele ajudar na medida provisória da reestruturação dos ministérios.
A articulação tentava uma última jogada para evitar as perdas anunciadas no relatório de Isnaldo Bulhões (MDB-AL), entre as quais a retirada de atribuições dos ministérios do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas. Lira disse que, se era desejo do Congresso, não caberia a ele interferir.
Lira afirmou que seu compromisso é com temas consensualmente necessários para o país, como o arcabouço fiscal, aprovado na Câmara na semana passada, e a reforma tributária, que pretende votar ainda neste semestre. Nada mais.
Para lidar com Lira, a estratégia será passar por garantir protagonismo ao parlamentar, diz uma fonte da articulação ao Bastidor. Tem a ver com prestígio e poder, segue a fonte. “Ou é assim, ou vai perder.”

