As recentes perdas de políticos para o PSD são consequência da imagem embaçada atribuída ao DEM pela proximidade com o governo de Jair Bolsonaro. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, é um exemplo de saída recente de um político de expressão que está indo para o PSD de Gilberto Kassab e pode levar o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia.  

Na análise do cientista político André César, sócio da Hold Assessoria Legislativa, o DEM, presidido por ACM Neto, está sofrendo com a proximidade de vários integrantes com o governo Bolsonaro.

“Kassab tem faro político, lê corretamente os sinais e se antecipa”, comenta André Cesar sobre o apoio que está sendo negociado entre o PSD e o ex-presidente Lula para a eleição do ano que vem.  

Os deputados baianos Elmar Nascimento e Arthur Maia são exemplos da pouca distância entre DEM e governo. Na CPI da Pandemia, o senador Marcos Rogério integra a tropa de choque de Bolsonaro. Quanto mais próximo o DEM fica do presidente, menos identidade preserva. O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, deputado Onyx Lorenzoni foi pioneiro no apoio ao candidato que venceria as eleições de 2018.

O DEM também enfrenta o desgaste da derrota do candidato de Rodrigo Maia, Baleia Rossi, para Arthur Lira na eleição para presidente da Câmara em fevereiro deste ano. A escolha da deputada Flávia Arruda para presidir a comissão de orçamento já tinha sido um revés de Maia anterior ao da eleição da mesa diretora. A revitalização do DEM, representada pelo aumento da bancada de deputados federais, está ameaçada pelo assédio do PSD.