O PT é o partido do ex-presidente Lula. O PL é o partido do presidente Jair Bolsonaro. Os dois são os principais adversários das eleições presidenciais deste ano. Mas, no Rio de Janeiro, as legendas –uma de esquerda e a outra de direita– estão juntas.
A aliança, informal, conta ainda com o MDB como fiador. A legenda, o leitor sabe, tem a senadora Simone Tebet como pré-candidata a presidente. Ela é um dos principais nomes da chamada terceira via.
O governador Claudio Castro é do PL. Oficialmente, ele tem candidato ao Senado, o senador Romário, que também é do PL. Mas, na prática, Castro determinou a seus aliados que façam campanha para, em vez de Romário, André Ceciliano, deputado petista que comandou a Assembleia Legislativa e garantiu a sua governabilidade desde o impeachment de Wilson Witzel.
Um desses aliados é Washington Reis (MDB), ex-prefeito de Duque de Caxias, um dos maiores colégios eleitorais do estado. Ao deixar a prefeitura no início do mês passado, Reis, um dos cotados para a vice do governador nestas eleições, pegou Ceciliano e foi para o interior do estado.
Há um mês os dois circulam pelas cidades fluminenses para encontros com prefeitos e vereadores.
O ex-prefeito de Caxias é muito popular no interior. Responsável pela gestão de três grandes hospitais e por atendimentos especializados e de grande complexidade, o município recebe pacientes de todas as cidades fluminenses.
Segundo um prefeito disse ao Bastidor, ao longo do mandato, era comum Washington Reis enviar suas ambulâncias para buscar pacientes em cidades do interior e buscar pacientes para atendimento na cidade.
A consequência disso é que Romário está, na prática, abandonado por Castro. Castro quer Reis, por sua popularidade no interior, para vice. E, para o Senado, o governador prefere Ceciliano, que, na sua avaliação, sempre cumpriu o que prometeu.
O Bastidor mostrou ontem (terça-feira) que Marcelo Freixo, candidato a governador pelo PSB, que oferecerá Geraldo Alckmin como vice de Lula, disse que não poderia apoiar o petista Ceciliano por sua relação eleitoral com Castro, seu concorrente. Lula lamentou.
No Rio, disse um petista, não há ideologia.

