O Roskomnadzor, órgão que regula os serviços de mídia na Rússia, decidiu proibir, nesta quarta-feira, 23, o acesso da população ao serviço Google News. O agregador de notícias é instalado por padrão em quase todos os dispositivos que utilizam o sistema Android. O governo de Vladimir Putin acusa a empresa americana de divulgar informações falsas sobre a guerra na Ucrânia.

A decisão foi tomada com base em uma nova lei que impõe censura a veículos de mídia, incluindo jornais, revistas, canais de televisão, rádios e plataformas de internet. O Facebook e o Instagram, por exemplo, foram impedidos de continuar as atividades no país. As empresas de Mark Zuckerberg foram consideradas como “extremistas” pelas autoridades russas

A nova lei proíbe que conteúdos a respeito do conflito na Ucrânia usem termos como “guerra” ou “invasão”. Na versão oficial do Kremlin, o exército russo realiza uma “operação especial” para “desnazificar” a Ucrânia. Imagens e relatos que mostrem eventuais baixas sofridas pelas forças do país estão proibidas.

No caso do Google News, a plataforma reúne, com base nos algoritmos do mecanismo de busca, notícias relacionadas aos interesses dos usuários. Se uma pessoa vai informações sobre determinado tema, ela passa a receber notificações com reportagens de vários veículos a respeito daquela história. Em algumas situações, há notícias falsas entre os links distribuídos.

Na Rússia, porém, a nota do Roskomnadzor, sobre a proibição do Google News, dá a entender que as informações consideradas falsas apenas contrariavam os interesses de Vladimir Putin. “O recurso de Internet de notícias americano mencionado forneceu acesso a inúmeras publicações e materiais contendo informações falsas e socialmente significativas sobre o progresso da operação militar especial no território da Ucrânia”, diz a mensagem.

YouTube entra na mira

Outra plataforma que pode sofrer sanções da Rússia é o YouTube, que também pertence ao mesmo grupo do Google. A rede de vídeos bloqueou o acesso de canais oficiais do governo russo, mas permitiu a divulgação de conteúdos que incitavam a realização de protestos no país.

Para o governo de Putin, as sanções do YouTube aos canais oficiais do país representam afronta. O Roskomnadzor considera que, além dos protestos, o YouTube não faz nada para impedir conteúdos que incitem reações violentas contra o exército russo, nem falas que propaguem atos contra cidadãos do país.