Apesar da disputa por cargos na mesa diretora do Senado e no comando das comissões, Rodrigo Pacheco tem desenhado —com alguns acordos— quais partidos ocuparão determinados postos.

Ao contrário do que ocorrerá na Câmara, onde tem mais força (e parlamentares), a bancada do PT ficará com comissões de menor relevância política, porque tem uma bancada menor e porque tem cedido para acomodar partidos para formar a base do governo.

O PT deve ficar com duas comissões: a de Assuntos Sociais (CAS) e a de Direitos Humanos (CDH). Com isso, a legenda tenta impedir que Damares Alves ou Magno Malta ocupem o posto. Embora ambos apoiem Rogério Marinho, há interlocutores de Pacheco em contato com eles para negociar votos.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) fica com Davi Alcolumbre, aliado do presidente do Senado e garantidor dos votos da bancada do União Brasil e demais legendas.

Uma das que Alcolumbre tenta levar para os braços de Pacheco, apesar de estar formalmente com Marinho, é o PP. À senadora eleita Tereza Cristina foi oferecido o comando da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA).

A ex-ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro estava ao lado de Marinho no lançamento de sua candidatura para a presidência do Senado no último final de semana.

Outra comissão que o PT gostaria de ocupar, mas que ficará com outra legenda da base é a Assuntos Econômicos, por onde passam todos os projetos de impacto no orçamento do governo e de sua arrecadação, como a reforma tributária. O comando ficará com o PSD.

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional foi prometida a Renan Calheiros. Ele pode deixar, porém, com algum aliado. Calheiros, dizem seus interlocutores, prefere ficar com a liderança da maioria, onde acredita ter mais influência sobre a agenda da Casa.

O MDB deve manter a 1º vice-presidência do Senado. O senador Veneziado Vital do Rêgo se manteria na função de substituir Rodrigo Pacheco. Rogério Carvalho, do PT, ficaria com a 1º secretaria, uma espécie de prefeitura do Senado.

Embora não seja uma vitrine, a função de Carvalho tem influência interna, pois controla orçamento e as nomeações da Casa. Nem todos na bancada do PT gostaram do acordo.