Apoios políticos não significam votos, mas sim tentativas de um candidato receber os votos de outro. Mas, examinados de outro ângulo, podem revelar os rumos de uma campanha, os pensamentos do candidato que busca votos ou a conveniência de quem oferece apoio. É assim que a volta de Sérgio Moro para o lado de Jair Bolsonaro deve ser analisada.

A presença de Moro ao lado de Bolsonaro no debate da Band surpreendeu. O senador eleito pelo Paraná parecia estar ali mais para intimidar Lula, afinal debates na TV incluem intimidação, provocação e a busca por desequilibrar o adversário.

A função de Moro era fazer Lula se lembrar das vezes em que esteve à frente dele em interrogatórios e de seus dias na prisão. Também poderia inibir Lula em respostas sobre o petrolão e a Lava Jato.

Exceto pela função de guarda costas, a volta de Moro ao colo de Bolsonaro não traz grande ganho ao presidente. Por outro lado, revela certa falta de rumo da campanha.

A campanha de Bolsonaro mudou de caminho várias vezes. Começou focada em corrupção e na pauta de costumes. Mudou para o discurso em direção aos pobres, com o reajuste do Auxílio Brasil, mas desistiu diante da falta de resultados. Tentou uma estratégia de pedir desculpas por erros, para agradar as mulheres – desistiu.

Falou de corrupção até agora, a 13 dias da eleição, sem Moro. A volta do ex-juiz da Lava Jato, portanto, parece não fazer parte de uma estratégia maior e planejada. Foi apenas pela conveniência de intimidar Lula no debate. Moro se ofereceu para voltar e foi aceito.

É difícil imaginar que Moro trará mais votos a Bolsonaro. O rompimento dos dois foi histriônico e os bolsonaristas investiram contra o ex-juiz, o enxergam como um traidor. Quem elegeu Moro já vota em Bolsonaro. Não é sua reaparição que convencerá eventuais saudosos da Lava Jato, que porventura estejam indecisos, a votar em Bolsonaro. A campanha de Bolsonaro segue tentando encontrar algo para mudar uma tendência que se mantém estável há meses.