A frase não foi dita, mas o tom da primeira reunião ministerial do ano é de que a culpa pela avaliação do governo ter piorado é da comunicação. É um clássico da política. Ao defrontar-se com resultados ruins em pesquisas, governantes concluem que seu trabalho é excelente, o problema é a incapacidade de fazer com que os cidadãos enxerguem isso.

No encontro desta segunda, o presidente Lula apresentou números da gestão e comentou que “vocês vão ficar surpresos com o que aconteceu neste país contra o pessimismo muitas vezes vendido através de determinados editoriais, através de determinados meios de comunicação”.

Em seguida, disse ao ministro da Secretaria de Comuicação, Paulo Pimenta, que se “as pessoas” não falam bem do que o governo faz, cabe ao governo falar. Como qualquer presidente, Lula pediu que os ministros falem de suas ações e de ações do governo. Reuniões assim servem para o presidente dar sinais a ministros, mas o efeito posterior é duvidoso.

O motivo da reunião é a queda na popularidade de Lula e do governo, atestada por pesquisas da Quaest e do Datafolha.

Um obstáculo intransponível é a calcificação do eleitorado. As pesquisas mostram que os eleitores de Lula enxergam um país em progresso, enquanto os de Bolsonaro enxergam só um país pior. Em outros tempos, a melhora na economia seria suficiente para produzir mais popularidade; hoje, não mais.

O governo Lula sofre também com falta de novidades. Seus programas são os mesmos dos dois governos anteriores, sem alterações que possibilitem novas marcas. O fato de o país ter crescido em 2023, de a normalidade ter voltado a vigorar na vida cotidiana, são conquistas óbvias, mas que parecem pouco perceptíveis para os cidadãos.