Multiprocessado na Lava Jato, o senador Renan Calheiros manobrou a CPI da Pandemia para conseguir o que parecia impossível: blindar-se politicamente de investidas judiciais iminentes.

Antes da criação da CPI e da reaproximação com o ex-presidente Lula, Renan já figurava com destaque em duas das principais delações mais recentes fechadas pela Procuradoria-Geral da República. Uma, de José Seripieri Filho, fundador da Qualicorp; outra, de João Alves de Queiroz Filho, o Júnior da Hypera. Renan segue como principal cliente da Lava Jato. Enfrenta outras frentes de investigação.

Uma vez firmado como principal adversário de Jair Bolsonaro, contudo, Renan interditou as possíveis ações decorrentes dessas colaborações. No mínimo, feriu letalmente a credibilidade delas. A proximidade de Augusto Aras e Lindôra Araújo com o Planalto conspurca, de antemão, medidas penais a ser tomadas contra o senador.

Renan sabe disso. Assim como a cúpula da PGR. Mesmo procuradores que apenas auxiliam Aras e Lindôra temem ser qualificados de partidários caso procedam com ações contra o senador.

Ainda que a PGR venha a abrir investigações preliminares contra Renan, o senador poderá alegar, provavelmente com sucesso, que as investidas resumem-se a uma vingança política.