Roberto Jefferson conseguiu o feito de virar unanimidade no mundo político. O ex-deputado, que cumpre prisão domiciliar por comandar um esquema de ataques à democracia, se tornou o personagem mais repudiado da República nas últimas 48 horas. Grupos das mais variadas matizes criticam suas atitudes.
A situação de Jefferson piorou depois de um vídeo em que ele profere xingamentos à ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral. Neste domingo (23), o ex-deputado resistiu a uma ordem de prisão, expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, e trocou tiros com policiais federais. Ao menos dois agentes foram feridos.
O principal personagem é Jair Bolsonaro. Apoiado por Jefferson de forma radical, o presidente repudiou sua postura. Pelo Twitter, divulgou uma breve nota condenando as atitudes, mas aproveitou para atacar o Supremo. “Repudio as falas do Sr. Roberto Jefferson contra a Ministra Cármen Lúcia e sua ação armada contra agentes da PF, bem como a existência de inquéritos sem nenhum respaldo na Constituição e sem a atuação do MP”, afirmou.
O presidente também determinou que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, vá ao Rio de Janeiro para acompanhar o caso.
Lula também condenou a atitude de Jefferson contra os policiais. Em entrevista coletiva, classificou o caso como “aberração”. “As ofensas contra a Cármen Lúcia não podem ser aceitas por ninguém que respeita a democracia. Criaram na sociedade uma parcela violenta. Uma máquina de destruição de valores democráticos. Isso gera o comportamento como o que vimos hoje”, escreveu no Twitter.
O senador eleito Sergio Moro foi outro que criticou o ex-deputado. “Coisa mais sem noção esse ataque aos agentes da PF. Espero que estejam bem. Minha solidariedade”, disse nas redes sociais.
A Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) disse que a ação de Jefferson foi um “atentado”contra os policiais. “É totalmente inaceitável qualquer tipo de violência contra policiais federais, em especial no cumprimento do dever legal estabelecido pela Constituição Federal”, afirmou em nota.
Também em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública confirmou que dois policiais foram atingidos por estilhaços de uma granada atirada por Roberto Jefferson. Segundo a pasta, eles foram levados ao pronto-socorro e receberam atendimento. Ambos passam bem e já foram liberados.

