Quem reparou na lista dos líderes do MDB que encontraram Lula na segunda-feira para declarar apoio estranhou a ausência do nome de Romero Jucá. Ex-líder do governo Lula no Senado, Jucá sempre foi um aliado do petista. Onde estava Jucá?

Jucá está correndo numa raia particular para voltar ao Senado. Faltou ao encontro com Lula porque assinou o manifesto do MDB em defesa da candidatura de Simone Tebet a presidente da República. Mas ninguém acredita que tenha fé nas chances da colega – é só estratégia.

Pré-candidato num estado onde o bolsonarismo é forte, Jucá é candidato ao Senado numa chapa com o PL, partido de Jair Bolsonaro. Sua ex-mulher, Teresa Surita, é pré-candidata ao governo com um vice do PL.

Aliados no MDB avaliam que Jucá fez uma boa jogada. Ao se aliar ao PL, impede o governador Antonio Denarium (PP) de usar a imagem do presidente na campanha à reeleição. Ao mesmo tempo, ao defender a candidatura de Tebet se desobriga de declarar apoio a Bolsonaro. Ganha nas duas pontas.

Enquanto isso, abre um terceiro caminho: Jucá envia mensagens reservadas a Lula dizendo só não o apoia por força das circunstâncias locais. Como Roraima tem apenas 0,2% do total de eleitores e fica longe de Brasília, faz pouca diferença para qualquer candidato a presidente.

Melhor de tudo, para Jucá a eleição termina no primeiro turno. A posição neutra até lá dá a Jucá a chance de ganhar, quem quer que seja o presidente.