O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), disse a Lula que a instalação da CPI da Braskem no Senado pode afetar a relação do governo com parte da base aliada no Congresso.

O recado é: se a CPI for instalada, Lira vai manobrar o centrão para atrapalhar a vida do governo, como forma de retaliação. A CPI é uma iniciativa do senador Renan Calheiros para atingir a empresa, Lira, e seus aliados – o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, e o senador Rodrigo Cunha.

A declaração de Lira ocorreu em meio à tentativa de Lula de evitar a abertura da comissão, que foi confirmada nesta quarta-feira (13). Foram escolhidos Omar Aziz (PSD-AM) como presidente e Jorge Kajuru (PSB-GO) como vice.

O posto mais almejado, a relatoria, ficou para ser definido em fevereiro. Renan quer o posto. Mas, diante da ameaça do presidente da Câmara, não conta com o apoio do governo.

Lira sugeriu Hiran Gonçalves (PP-AM), que tem o aval do líder do governo no Senado, Jaques Wagner. Rogério Carvalho (PT-SE) também aparece como opção. Ao Bastidor, o parlamentar disse que sua indicação depende das “circunstâncias”. Rodrigo Cunha (Podemos-AL), aliado de Lira, também almeja o posto.

Em reunião com políticos de Alagoas, Lula expressou sua insatisfação com a instalação da CPI. Oficialmente, criticou o potencial da comissão atingir a Petrobras, que junto com a Novonor (ex-Odebrecht) controla a Braskem.

A outra preocupação é o efeito no Congresso. Só com o apoio de Lira foi possível ao governo aprovar as matérias de seu interesse. Briga com Lira em ano eleitoral e de meta de déficit fiscal zero não é bom negócio.