A cada dia, os discursos de extremistas nas redes sociais fica mais violento. Ao mesmo tempo, as decisões para tentar impedir a disseminação do ódio aumentam. Mas a aplicação prática esbarra na facilidade com que grupos de bolsonaristas têm para se movimentar no ambiente virtual.
No Telegram, onde o Bastidor tem concentrado o acompanhamento das discussões entre bolsonaristas, as novas comunidades surgem a todo momento. Na última terça-feira, quando Alexandre de Moraes determinou a exclusão de uma lista de comunidades, os administradores enviaram links para os seguidores se inscreverem em novos grupos.
A lentidão da Justiça e da tecnologia para buscar e punir incentivadores e administradores desses grupos é evidente. Dos cerca de 20 grupos acompanhados pela reportagem, apenas um saiu do ar. Mesmo assim, o Telegram só bloqueou o acesso a partir do Brasil. A comunidade segue ativa com o uso de VPNs.
Isso já tinha sido observado durante o período eleitoral, em especial no segundo turno, quando as redes sociais foram inundadas de notícias falsas sobre Lula e Jair Bolsonaro. À época, essas ferramentas eram usadas para difundir temas bizarros, que iam do satanismo à pedofilia.
Embora Moraes tenha determinado naquele período o bloqueio de contas de bolsonaristas, como as de Carla Zambelli e Nikolas Ferreira, as páginas deles no Twitter ainda eram acessíveis por VPNs.
Depois do último domingo, quando bolsonaristas invadiram e depredaram as sedes do Congresso, Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto, a profusão de comunidades alternativas se expandiu consideravelmente no Telegram.
Outra alternativa para esses grupos é o uso de vários aplicativos diferentes. Ainda que Twitter, WhatsApp e Telegram sejam mais comuns, muitos têm migrado para novas contas no Signal e em redes como o Gettr, mantida por apoiadores de Donald Trump, nos Estados Unidos. Se nas plataformas tradicionais o acesso das autoridades é difícil, nas demais é praticamente impossível o controle.

