O secretário-geral da ONU, António Guterres, esteve nesta quinta-feira em comunidades nos arredores de Kiev, capital da Ucrânia, para ver de perto os estragos provocados pela guerra, que já dura mais de dois meses. Durante a visita, condenou os atos terríveis que contra civis e pediu a responsabilização criminal dos envolvidos.
Antes da visita à Ucrânia, Guterres esteve em Moscou, onde também pediu um cessar-fogo e a ajuda dos russos para uma investigação independente sobre os eventuais crimes de guerra cometidos durante a invasão. Saiu de lá sem nenhuma solução prática, apenas promessas vazias de colaboração.
Em Kiev, Guterres se sensibilizou ao ver os destroços das comunidades de Bucha, Borodyanka e Irpin, que foram alvos de intensos ataques mas, nos últimos dias, foram deixados de lado pelas forças russas, que passaram a concentrar os ataques no leste do país.
Guterres defendeu a investigação aberta no Tribunal Penal Internacional sobre os possíveis crimes de guerra cometidos na Ucrânia. Em Bucha, onde imagens de um massacre contra civis chocaram o mundo, ele ressaltou a necessidade de apurar o caso. “Quando nós vemos essa cena horrenda, isso me faz perceber o quão importante é atravessar a investigação e a responsabilização”, afirmou.
Já em Borodyanka, os prédios residenciais destruídos e com marcas de incêndios chamaram a memória afetiva do secretário-geral. “Eu preciso dizer como me sinto. Eu fico imaginando minha família em alguma dessas casas que agora estão destruídas e negras. Eu posso ver minhas netas correndo em pânico, com parte da família eventualmente morta. É um absurdo essa guerra em pleno Século 21. A guerra é má”, afirmou.
Investigação vai apurar abusos de todos os lados
Longe da Ucrânia, o promotor responsável pela investigação no Tribunal Penal Internacional, Karim Khan, afirmou que não está favorecendo a Ucrânia ou a Rússia nas investigações. Em entrevista na quarta-feira, ele assinalou que as leis internacionais não devem ser passivas.
A investigação vai apurar possíveis abusos cometidos na Ucrânia desde 2013, meses antes da primeira invasão russa, que gerou a anexação da Criméia, em 2014.
Refugiados
Enquanto a guerra continua, o número de refugiados só faz subir. A ONU contabiliza que 5,3 milhões de pessoas já deixaram o território ucraniano desde o início da guerra.
A fronteira com a Polônia já registrou a passagem de 2,9 milhões de pessoas. De lá, o governo tem garantido ajuda inicial para os refugiados e transporte para quem quiser buscar auxílio em outros países da Europa.
Brasil na guerra
Apesar da redução dos ataques em Kiev, a representação diplomática do Brasil na Ucrânia segue trabalhando na cidade de Lviv, perto da fronteira com a Polônia. O escritório na capital permanece fechado.
Segundo o Itamaraty, uma brasileira que tinha deixado a zona de conflito retornou para a região de Odessa, no litoral. A identidade não foi divulgada.
A orientação das autoridades diplomáticas é para que os brasileiros continuem longe do país. A embaixada pediu a quem ficou para que mantivesse um registro atualizado junto à embaixada.

