Pelo menos nove ministérios, além da Casa da Moeda e do Coaf, estão com seu Sistema Eletrônico de Informações (SEI) fora do ar desde a terça-feira (23) por causa de um suposto ataque hacker. O Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos informou que a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência foram acionadas para investigar o caso. Não há previsão de reestabelecimento dos serviços.

Os ministérios com problemas são:

  • Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI)
  • Ministério da Fazenda (MF)
  • Ministério dos Povos Indígenas (MPI)
  • Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO)
  • Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC)
  • Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP)
  • Ministério da Previdência Social (MPS)
  • Ministério da Igualdade Racial (MIR)
  • Ministério das Mulheres (MMulheres)

Além dos ministérios, a Casa da Moeda e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) também estão fora do ar. 

Todos esses órgãos utilizam o chamado “SEI Multiórgão”. Esse sistema atua de forma interligada ao do Ministério da Gestão e Inovação, onde ocorreu o suposto ataque hacker. Demais órgãos da administração federal não têm o seu “SEI” vinculado à pasta não foram afetados.

O SEI é o sistema em que circulam 80% de toda a documentação federal, como portarias e normas. Ele também é utilizado para emitir ordens de pagamentos, despachos para emissão de notas fiscais, processos administrativos referentes a empresas privadas que precisam responder o governo, instruções, dentre outras funcionalidades, como a tramitação de documentos entre os ministérios e órgãos.

Em nota, o Ministério da Gestão e Inovação garantiu que não houve perda de informações governamentais e que os serviços oferecidos ao público por meio do portal gov.br não foram afetados. “Até o momento, não foi identificada nenhuma perda de dados ou informações. Não foram afetados os serviços ofertados ao cidadão via GOV.BR”, informou a pasta. A pasta não tem uma estimativa para solução do problema, e tem pedido aos servidores que “busquem soluções alternativas para não ter paralisação de nenhum processo ou procedimento urgente”.

Como divulgou O Globo, em circular interna, o MGI orienta ainda que as solicitações de serviços sejam registradas por telefone:

“Pedimos que informem todos os casos em que os computadores estejam sem acesso à internet e procurem utilizar outra máquina que tenha acesso. Enviaremos outro boletim com informações no início da tarde. Vamos manter a comunicação intensiva pelos meios oficiais até a resolução do incidente.”

Essa é a segunda vez neste ano que o governo federal sofre um ataque hacker. Em abril, a Folha de São Paulo revelou que o Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) também sofreu uma invasão, resultando no desvio de R$ 3,5 milhões. Parte desse dinheiro foi recuperado, cerca de R$ 2 milhões.

A investigação indicou que invasores alteraram acessos dos gestores a partir do sistema Gov.br, e conseguiram realizar três operações Pix a partir dos recursos do MGI, para três bancos diferentes. Duas foram revertidas.

À época, o Tesouro Nacional, órgão gestor do Siafi, afirmou que implementou medidas adicionais de segurança para autenticar os usuários habilitados a operar o sistema e autorizar pagamentos.