Na reunião ministerial de emergência que convocou na noite de ontem no Palácio da Alvorada, Jair Bolsonaro queria saber o que seus auxiliares de governo e Estado, como os chefes das Forças Armadas, achavam sobre sua ideia de pedir o adiamento das eleições.
Seu objetivo era fazer um pronunciamento com a novidade. Ele estava irado com a decisão do Tribunal Superior Eleitoral de arquivar a “denúncia de fraude” de sua campanha sobre o número de inserções de rádio.
Foi dissuadido pelos ministros mais técnicos, entre os quais o embaixador Carlos Alberto França. Os chefes das Forças Armadas, Freire Gomes (Exército), Almir Garnier Santos (Marinha) e Carlos de Almeida Baptista Junior (Aeronáutica), convocados para o encontro, ficaram em silêncio. Achavam nem deveriam estar ali.
O presidente estava transtornado. Gritava e batia na mesa. Dizia que estava sendo roubado pelo ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, e que não iria aceitar perder dessa forma.
Por fim, depois de extravasar sua raiva e tentar recrutar, sem sucesso, o apoio dos militares, que ele queria ao seu lado no pronunciamento à imprensa —o que também não ocorreu— saiu e reclamou, apenas. Estavam com ele Anderson Torres (Justiça) e Augusto Heleno (GSI).
O teste para saber se receberia o apoio dos militares para o adiamento das eleições causou preocupação num auxiliar político de Bolsonaro.
Segundo admitiu ao Bastidor, o domingo, 30, se o presidente não se reeleger, será um dia longo e já se pensa numa espécie de contingenciamento para Bolsonaro recuar e aceitar o resultado.

